Alcoolismo e os efeitos para a saúde pública

Por Alex Natalino

Os dois Pronto-Socorros, “Central” e do “Vazame”, recebem centenas de pacientes por dia para atendimento de urgência ou emergência, entre eles, pessoas que chegam até lá vitimadas pelo uso excessivo de bebidas alcoólicas.
Os finais de semana ou feriados são os dias de maior incidência de atendimentos a etilistas (consumidor excessivo de álcool) que geralmente são levados aos pronto-socorros por conhecidos, familiares ou pelo SAMU.
Predominantemente, são pacientes homens, acima dos 45 anos. Já entre os que têm menos de 45, a possibilidade de mistura com outros entorpecentes é maior.
As Unidades Básicas de Saúde de Embu das Artes também acolhem os usuários que desejam se livrar do vício, prestando orientações médicas e psiquiátricas. E quando a situação é mais complexa, o dependente é encaminhado ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS – AD) – localizado na rua Siqueira Campos, 22, Centro, funcionando de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h.

O CAPS Álcool e Drogas é um serviço extra-hospitalar de assistência a pessoas com problemas de saúde mental e usuárias de álcool e drogas, com a proposta de evitar internações desnecessárias. Atende a demanda da população e pacientes encaminhados pelo SUS, Programa Saúde da Família (PSF) e postos de saúde. Os usuários recebem atendimento psiquiátrico, psicoterápico, medicamentoso, familiar e passam por terapia ocupacional. O programa de ressocialização dos pacientes inclui arte e artesanato. As famílias interessadas podem agendar triagem para o doente pelo telefone 4704-5932.

“Nos atendimentos a alcoólicos nos pronto-socorros, os traumas gerados por quedas e as convulsões são os maiores casos e, em alguns, em menor número, há vítimas de violência por envolvimento em brigas, motivadas pela embriaguez”, revelou a diretora do P.S. Vazame, Renata Cristina Campos. “Outras causas menos frequentes são acidentes com automóveis e atropelamentos”, completou.
São pacientes que utilizam muitos recursos, saem caro para o Sistema Único de Saúde (SUS) e exigem muitos cuidados. Além de todo material hospitalar, normalmente eles ficam em observação e passam por uma série de exames para avaliação dos traumas, inclusive neurológicos, como a tomografia por exemplo, que a rede municipal não possui e precisa solicitar ao Hospital Geral do Pirajuçara. Na necessidade de remoção, ambulância, enfermeiras e médicos são acionados, além de, se for necessário, ter que se recorrer à cirurgia e internação em UTI e leitos.
Além dos procedimentos citados, há situações que agravam os atendimentos. Por estarem alterados psicologicamente pela embriaguez, os pacientes acabam provocando constrangimentos e transtorno à unidade. Muitos não aceitam o tratamento, arrancam os acessos venais, causam tumulto, gritam, tentam agredir, ofendem, ameaçam e se jogam da maca. Para piorar, às vezes os acompanhantes, também alcoolizados, adotam comportamentos inadequados.
Renata Campos ressalta ainda que o alcoolismo traz outras consequências, como as vítimas de violência doméstica e as doenças crônicas adquiridas pela ingestão excessiva de álcool a longo prazo, como a hipertensão, a diabetes, a cirrose, o câncer de pâncreas ou de fígado, o acidente vascular cerebral, entre outras.
Alguns dados sobre uso de álcool
O IBGE visitou 80 mil casas de 1.600 municípios em 2013 e constatou consumo de bebidas alcoólicas em 36,3% dos homens (25 milhões) e 13% das mulheres (10 milhões). As estimativas foram realizadas em cima das 146,3 milhões de pessoas com 18 anos ou mais de idade no Brasil.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o consumo abusivo de bebidas alcoólicas é considerado um fator de risco das principais doenças crônicas não transmissíveis, bem como de acidentes e atos violentos.
Pela pesquisa, os maiores consumidores estão na faixa etária de 25 a 39 anos (28,5%), e, entre os acima dos 60 anos, o índice é menor (14,2%).
Quem possui curso superior completo ingere mais bebidas alcoólicas (30,5%), do que aqueles com ensino fundamental incompleto ou sem instrução (19%).

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