Bancários mantém força da greve no nono dia do movimento

Por Assessoria de Imprensa

Os bancários dos 26 estados e o Distrito Federal entraram, nesta quarta-feira (14), o nono dia de greve da categoria. Em todo o Brasil, 11.439 agências e 42 centros administrativos paralisaram suas atividades.

 

De acordo com Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, a greve de 2015 pode entrar para a história. “A resposta para a tentativa dos banqueiros de mudar o modelo de negociação que tem dado certo nos últimos anos será respondida com um modelo de paralisação diferente e estratégica”, revelou.

 

“Nosso objetivo não é só mostrar para a categoria o desrespeito dos patrões. É também mostrar para toda a população que, apesar dos altos lucros, das taxas e dos juros exorbitantes, eles não estão preocupados com seus clientes. Exploração não tem perdão!”, completou.

 

Apesar dos lucros altos, setor bancário fecha 6.003 postos de trabalho

Na contramão dos lucros exorbitantes dos cinco maiores bancos do País (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander), de janeiro a agosto de 2015foram fechados 6.003 postos de trabalho no setor financeiro, segundo um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

O saldo negativo do período resultou de 23.807 admissões contra 29.810 desligamentos. De acordo com a análise por Setor de Atividade Econômica (CNAE), os cortes de empregos estão concentrados nos Bancos Múltiplos com Carteira Comercial. Essa categoria que engloba grandes instituições como Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC e Caixa que, sozinha, respondeu pelo corte de 2.261 postos de trabalho em oito meses. Já os outros bancos, juntos, foram responsáveis por 3.793 demissões no mesmo período.

 

Segundo o presidente da Contraf-CUT, Roberto Von der Osten, os bancos insistem nos desligamentos. “A cada mês, o número de demitidos supera o de contratados. O que os bancos pretendem com isso? Seus lucros continuam crescentes, mas a responsabilidade social continua em queda”, destacou.

 

Com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), a pesquisa aponta que esse resultado foi influenciado pela implementação, no mês de julho, pelo Banco do Brasil, do Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI). Do total de desligamentos, praticamente a metade foi a pedido do próprio trabalhador. Outros 46% foram por demissão sem justa causa e 3% foram por dispensa por justa causa.

 

O fato de os desligamentos a pedido superarem a dispensa sem justa causa deve-se, especialmente, à adesão de bancários aos planos de aposentadoria da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. O impacto dos planos de aposentadoria dos bancos públicos no saldo negativo de empregos verificado no setor bancário, no período, também pode ser constatado na informação sobre a faixa etária que concentrou a maioria dos desligamentos, entre 50 a 64 anos.

 

Vinte e dois estados apresentaram saldos negativos de emprego. Em apenas cinco estados houve saldo positivo. Os maiores cortes ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, com 1.037, 896 e 640 cortes, respectivamente. O estado com maior saldo positivo foi o Pará, com geração de 141 postos, seguido de Mato Grosso, com 77 novos postos no período.

 

Desigualdade entre Homens e Mulheres

A remuneração média das 11.346 mulheres admitidas nos bancos, no período, foi de R$3.073,82. Esse valor corresponde a 81,6% da remuneração média recebida pelos homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 3.767,18.

 

A diferença de remuneração entre homens e mulheres é maior no desligamento. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos entre janeiro e agosto recebiam R$ 5.428,63, o que representou 77,0% da remuneração média dos homens desligados dos bancos, de R$ 7.046,03.

 

Lucros elevados

Mesmo com o baixo desempenho da economia brasileira, os cinco maiores bancos (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) alcançaram, juntos, resultado de R$ 36,3 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano, crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Os clientes participam deste cálculo, com o pagamento de tarifas e prestação de serviços. De acordo com a Associação de Consumidores Proteste, as tarifas cobradas pelos oito maiores bancos do país entre 2013 e 2015 cresceram até 169%. Segundo a pesquisa feita pela Fundação Procon, os juros do cheque especial atingiram em outubromédia de 12,28% ao mês, a maior desde setembro de 1995. No mês anterior, a média estava em 11,9% a.m.

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